Óbidos é uma vila portuguesa da sub-região do Oeste, região Centro, fazendo parte da Região de Turismo do Oeste, com cerca de 3 300 habitantes.bp 310100901-W300

É sede de um município com 142,17 km² de área e 11 772 habitantes (2011), subdividido em 9 freguesias. O município é limitado a nordeste e leste pelo município das Caldas da Rainha, a sul pelo Bombarral, a sudoeste pela Lourinhã, a oeste por Peniche e a noroeste tem costa no oceano Atlântico.

Ao contrário do que se possa pensar, o nome Óbidos não deriva da parónima óbitos, mas sim do termo latino oppidum, significando «cidadela», «cidade fortificada». Nas suas proximidades ergue-se a povoação romana de Eburobrittium.


O que atrai cada vez mais turista a Óbidos?

Tem cerca de 150 pessoas a viver dentro das muralhas mas abre a porta a milhares de visitantes por ano.

Vejo esperança no meu futuro", antecipa Mário Alves, 33 anos, condutor de charretes na vila de Óbidos. "Sou de uma aldeia perto e tenho muitos clientes brasileiros, espanhóis e franceses". Sorridente e confiante, Alves afasta-se e ruma para o centro da vila histórica, enquanto lança um aviso entusiasmado: "E agora vem aí a feira do livro!", grita.

Em contraciclo com a visão de muitos portugueses, Mário Alves é um dos trabalhadores da região de Óbidos que vive do turismo da vila. Um nicho de mercado que cresce a bom ritmo. "Andamos muito. E carregamos no acelerador todos os anos", ironiza Telmo Faria, presidente da Câmara de Óbidos, que termina em Setembro o seu terceiro mandato. "E não saio para a reforma", garante este executivo de 41 anos, casado, com três filhos, que se candidatou à autarquia da "sua terra" com 29 anos, e que a maioria dos residentes na vila (300 pessoas no centro e cerca de 150 dentro das muralhas) aponta como "um dos responsáveis por colocar Óbidos no mapa".

O movimento na vila é fácil de atestar. A meio da semana, e sem grandes eventos na agenda, já se vê muita gente a circular pelas dez da manhã. Japoneses de um lado, ingleses de outro, italianos ansiosos pela hora do golfe já de saída. "Nossa! Isto é lindo", exclama uma brasileira reformada, que se encontra há três semanas em viagem pela Europa com três amigas. "Não tinha como não visitar esta vila! É lindo demais!", remata a visitante brasileira.

O "entra e sai", a compra do cartão postal e o flash aumentam com o passar das horas e contrastam com a calma dos habitantes, que já encaram o movimento como "normal e desejável". "A vila recebe muitos brasileiros, russos também. Esses compram mesmo. E os chineses também!", realça a artista Luísa Duarte.

O brasileiro Scolari deu uma ajuda na promoção quando decidiu levar a selecção nacional de futebol para estagiar na região. Mais um golo de marketing de Telmo Faria, que faz com que Luísa Duarte viva hoje das compras dos turistas e sinta que "recuperámos uma arte que estava em vias de extinção. Só havia uma senhora a fazer "verguinha", neste momento somos três". Luísa Duarte é uma das artistas que vive do que produz em Óbidos. "Estamos a trabalhar com o apoio da autarquia, que nos apoia com o espaço, e nós mantemos a loja aberta e comprometemo-nos a trabalhar ao vivo".

Chaves do sucesso

"Obsessão pelo crescimento económico", refere Telmo Faria. "Nós aqui não falamos de despesa pública, temos uma atitude completamente contrária. E há dez anos que provamos várias coisas", refere. "Primeiro, provámos que apostar na cultura dá dinheiro, que apostar no turismo e no turismo cultural dá dinheiro. Em segundo lugar, provámos que se pode crescer todos os anos e já chegámos a quadruplicar a nossa riqueza, o nosso PIB concelhio", conclui o autarca. E números? "Apanhei Óbidos numa crise muito grande. A câmara não tinha dinheiro. Fazia cinco, seis milhões por ano. Hoje faz mais de 20 milhões em plena crise e já chegou a fazer mais de 30 milhões".

O primeiro evento foi o Mercado Medieval, depois veio o Festival de Chocolate, em Novembro de 2002, "que parou a autoestrada e provocou um grande alarido", recorda. "Tivemos 200 mil pessoas só num fim-de-semana. Tive de ligar para as rádios e televisões para avisar as pessoas e não virem todas", lembra. "A falta de público nunca foi um problema."

Com quatro grandes eventos anuais (ver destaques ao lado), a vila conta com 15 eventos temáticos e 150 iniciativas generalistas todos os anos. O último, a Vila Literária, arrancou ontem e surge em linha com a política cultural seguida por Telmo Faria: "Investimos entre 14 a 15% do orçamento municipal na cultura, que é cerca de cinco a seis vezes superior à média nacional". O autarca, que vê a Dinamarca como um país "inspirador" e faz questão de enviar os colaboradores para fora do país para estudarem e tirarem ideias, criou ainda uma empresa municipal para dar apoio à cultura. "Para sermos políticos hoje temos de ter a fibra de um empresário e a cabeça de um empreendedor. É muito complicado não ser isso tudo ao mesmo tempo. Ou então não se estará a servir bem a política ou pelo menos a utilizar bem os recursos da política".

O empreendedor dos livros

Quem também está "num outro cumprimento de onda" é José Pinho, responsável da livraria Ler Devagar, que sonhou alto ao avançar com um conceito inovador: transformar Óbidos numa Vila Literária, onde as leituras casam com a arte, com o mercado biológico e onde até na igreja há troca de alianças com livros.

"Este projecto, que é uma iniciativa conjunta das livrarias Ler Devagar (LX Factory, em Lisboa) e Histórias com Bicho (Óbidos) e do Município de Óbidos, com o apoio dos editores e de outros livreiros, é inspirado noutras cidades do livro que existem pela Europa". Mais: a partir de 2014, vamos fazer festivais literários. Um grande anual, na Primavera, depois três festivais temáticos", adianta José Pinho. "É isso que queremos, porque Óbidos está muito ligada à cultura e à criatividade", resume.

E como se passeia pelos livros? Uma sugestão de percurso para quem visitar a vila: começar na livraria de Santiago (livros generalistas), seguir para Galeria do Pelourinho (Poesia e Pessoa), passear pelo Chocolate Lounge (gastronomia e vinhos), virar para a Praça de Santa Maria (saldos) e depois para os museus. Pelo caminho, pode visitar a Galeria Ogiva e o Mercado Biológico (alfarrabista e viagens) e ainda dar um pulo ao CDI ('design' de interiores) e ao EPIC, para livros infantis.

"Tenho uma grande mágoa. Investimos 22 milhões de euros na educação para construir edifícios e conseguir uma equipa extraordinária e sinto que nenhum ministro teve a coragem de implementar, nem que fosse a título experimental, num concelho às portas de Lisboa, e com este registo todo, um sistema de ensino descentralizado". Coincidência ou não, foi numa viagem a Reggio Emilia, "capital da Educação", que um colaborador da câmara se cruzou com José Pinho, da Ler Devagar. O projecto da Vila Literária surgiu logo a seguir.

Fonte: Económico